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domingo, outubro 9

Era uma vez centena de anos atrás...

…um jovem guerreiro, seu cavalo, uma espada e nada mais…
Á noite, com seu cavalo, deitado, sentindo o cheiro da grama e da terra,
olhou para o céu e momentaneamente, sentiu que algo lhe cega.

Uma luz tão forte… …tão pura… …e tão bela…
…caiu no chão, e em um imenso estrondo, fez um grande buraco na terra…
Montando em seu cavalo, e galopando para ver que coisa era aquela,
aproximou-se e viu o jovem guerreiro, uma pálida e linda donzela…

Desmontando do seu cavalo, e escorregando pelas paredes da cratera,
o jovem guerreiro se aproximou, para tentar descobrir quem era ela…
Tocou-lhe levemente o rosto, com seu dedo indicador gelado de frio,
viu então a donzela abrir os olhos, e por alguns segundos ela lhe sorriu…

Com a respiração pesada, o jovem cavalheiro pegou-a em seus braços,
e deu um jeito de tirar-la daquele imenso buraco…
ele admirava a sua beleza, sua serenidade, ela lhe parecia tão doce quanto mel,
mas ainda sim, ele não conseguia entender, como ela havia vindo do céu…

“Será que Deus, me mandou um de seus anjos para me fazer companhia?”,
se perguntava o jovem, deitando-a na grama, e em seguida sorria,
realmente, estava tão só… …e fazia tanto tempo,
que de companhia só podia conta: O seu cavalo, sua espada, e o vento.

Ele estava tão desatento… Que nem percebeu que a dama estava acordando…
Até que a viu remexer-se, mas pensou que ela estivesse sonhando…
Ao olhar para ela, e ver seus grandes olhos azuis, tão vivos e abertos,
virou-se mais para ela, e foi chegando mais perto…

Ela olhou para ele, e lhe sorriu gentilmente,
e ele sem saber o que fazer apenas retribuiu aquele sorriso tão contente,
em seguida lembrou-se do que tinha que perguntar,
mas antes estendeu a sua mão, para que ela pudesse se levantar…

“De onde viestes, e porque motivo caístes aqui?” perguntou, curioso para saber.
Ela respondeu: “Sou uma estrela, cruzei o tempo e espaço para chegar até você…
…Há muito, já tinha cansado de brilhar, tão estática, e naquilo pus um fim…
…E precisava de um corajoso guerreiro, para tomar conta de mim…”

Sem saber como responder, mas contente por uma honra tão grande assim,
ele perguntou: “Com tantos mais bravos no mundo, porque escolher justo a mim?”,
ela apenas respirou fundo, desviando o olhar, tímida e corada,
e respondeu-lhe “Porque você tem um coração enorme, e… Me deixou apaixonada”.


  • Como toda história rimada, que tem um finalzinho contente…
  • Não precisa de mais nada a não ser no final um “feliz pra sempre”…

[ Dedicado para Alice ]


Kyo König

quinta-feira, março 17

Histórias



                 Era um dia qualquer em que um homem conheceu uma mulher, eles se apaixonaram. –Como sempre fazem os casais das histórias. Então eles viveram um amor intenso, único. Um amor simples, mas forte, em que as diferenças não importavam, nenhum dos dois eram perfeitos, e eles sabiam disso, mas até as imperfeições os tornavam perfeitos aos olhos do parceiro...
                 Era como se um fosse o bem, o outro o mal, como se ele fosse um corvo, e ela a melodia cantada por um anjo. Eles se casaram, tiveram filhos, e enfrentaram todas as barreiras que vinham pela frente. –Como sempre fazem os casais das histórias.
                Mas talvez o humor os fez cair na rotina, do modo como ele jurou em seu próprio casamento não deixar, por fim, eles acabaram se separando por algum tempo, um tempo que para ele pareceu sem fim, um tempo em que ele resolveu agir como um homem, agarrando todas as suas “oportunidades”, ou simplesmente agarrando todas as mulheres que conseguia. –Como nem sempre fazem os homens das histórias.
                Porém uma coisa que os desprezíveis homens fazem, é não tratar mulheres com o devido respeito que elas merecem, e ele não conseguia fazer isso... Sempre as tratava como... Únicas. Um erro, pois elas sempre se apaixonam. Vários corações partidos e garrafas de cervejas vazias depois, ele encontrou uma nova mulher, tão perfeita como a anterior ou até mais, e eles se apaixonaram. –Como sempre fazem os casais das histórias.
                Mas o destino, o arquiteto dos planos malignos da vida, trouxe de volta o amor anterior para a vida daquele homem, pra confundir sua cabeça, e o colocar contra a parede. –Como sempre faz o destino nas histórias. Por não querer perder o novo amor, e querer ficar com o antigo, ele acabou ficando com as duas. Acabou por fazer um triângulo amoroso, onde só o amor recente não estava á par da situação. –Como sempre fazem as garotas inocentes e apaixonantes das histórias.
                Porém isso tinha um efeito devastador tanto naquele homem, quanto no seu primeiro amor. Nenhum dos dois gostava do ato de trair alguém. Ela porque não queria ser “A Outra” e ele porque não queria ser “O Tal”. Várias conversas, erros e acertos depois... Várias lágrimas derramadas depois eles resolveram não se amarem mais, decidiram que cada um ia viver uma vida normal, iam se deixar levar pelos novos sentimentos, e decidiram, que desse amor antigo –e devastador– só iria restar a lembrança...
                                               ... A lembrança de que ele foi homem, e ela mulher, e os dois felizes construíram uma história, a lembrança de que as histórias nem sempre devem ter o final desejado, mas sempre um final feliz, a lembrança que acima de tudo, não se esquece um antigo amor, e muito menos se deixa de amar um novo. O desejo de felicidade para ambas as partes, o desejo de saber, que novas histórias podem ser escritas, mas que as antigas nunca podem ser apagadas. E a inteligência pra alertar os “novos amantes”, que o amor sempre está mudando, e não se pode fazer nada quanto a isso...







Kyo König

terça-feira, março 15

A sós no mundo


            Um dia normal como qualquer outro, um homem qualquer se levanta da cama, e se dirige até o banheiro para escovar os dentes, após a higienização, para cinco minutos em frente ao espelho, pensando na mulher que mais ama. Então ele faz um desejo, olha para o alto, e pede pra Deus para dar um dia inteiro só pra eles no mundo... Um dia em que só exista ele e ela...

            Ele começa a rir “O que estou pensando” pergunta para si mesmo, “Como se Deus fosse mesmo me dar um dia assim...” ele sai em direção à cozinha, faz o seu café, o toma em alguns minutos em sai em direção ao trabalho. Passa pela sua vizinha, que estava colhendo as flores do jardim, vestida como sempre, e a cumprimenta, ela só faz um sinal de positivo com a cabeça, ele passa direto, olhando para trás, por notar que tem algo de diferente nela, mas como já está atrasado ele continua a andar até o ponto de ônibus, era cedo demais pra ter alguém na rua, então ele esperava em pé no ponto de ônibus até que uma mulher aparece do seu lado, ele olha pra ela, e olha para frente, rapidamente ele olha pra ela de novo espantado, é a mulher que mais ama ali...

             Então a buzina do ônibus alerta os dois, ele olha para o ônibus, e ela está dirigindo, uniformizada como motorista, ele olha para o lado, ela está ali, e está no ônibus, "Como é possível?" ele se pergunta? Assustado ele dá alguns passos pra trás e volta correndo pra casa. Antes de chegar vê o carteiro colocando as correspondências na caixa de correio, olhando melhor ele percebe que o carteiro também é ela, tal como sua vizinha, com um ramalhete de rosas vermelhas na mão, e o marido dela, estranho, pois ele estava vestido de executivo e o grande mustache sobre os lábios, mas o rosto e o corpo eram o da mulher que ele ama.

             "Impossível, ela está em todos os lugares", ele olha para cima e volta a falar com Deus, "Senhor, quando disse que queria só eu e ela no mundo... Não era exatamente esse tipo de privacidade que eu queria"... Então uma idéia surge em sua mente. Já que ele não ia para o trabalho mesmo porque afinal pela hora já não entraria mais, ele ia para a casa dela, iria passar o dia com a mulher que ama.

            E lá vai ele atrás dela, caminhando pela calçada e passando por várias pessoas com o rosto dela, até aquele ponto ele estava com medo, mas após algumas "caras" começou a achar divertido, no trajeto ele viu ela na padaria, num bar, como cabeleireira cortando o próprio cabelo, vendendo sorvetes para um "casal de ela mesma", distribuindo panfletos para uma população de "mulheres que ele ama"...

            Chegando a casa dela ele bate na porta, o pai dela atende, e é impossível segurar o riso, o bigode, a  cerveja na mão, a camisa de abotoar aberta, e... ...a careca reluzente, no corpo dela. Ele pergunta se ela está, e o pai dela o manda entrar... Ele se senta no sofá, e a velha da sua sogra oferece algo para ele comer, ele não resiste e olha pra ela, aquela "velha, baranga" agora até parecia mais bonita com o rosto da mulher amada, "Se não fosse o exagero de Batom, Botox e Blush", ele pensa. Então a verdadeira mulher amada dele desce as escadas, ele olha pra cima e sorri. Impossível se enganar com aqueles olhos brilhantes, ele vai até ela e segura sua mão, a beija como nunca tinha feito antes, mesmo na frente dos seus pais, e a convida para o cinema, e lá vão eles, ele não conta para ela que todas as pessoas que ele vê tem o rosto dela, mas após entrar no cinema, ele se diverte bastante vendo um filme em que ela protagoniza todas as cenas. Finalmente o fim do filme... E chegando o fim da noite, ela o chama num canto reservado e diz que precisa contar-lhe um "divertido segredo" ele sorri e diz que também precisa.

            Após um suspiro ela o olha e diz "Não sei o que aconteceu hoje com minha mente, mas todas as pessoas que eu vejo são você, no começo achei estranho, mas foi ficando tão engraçado... Não esperava que fosse me visitar em casa, mas achei perfeito te ver de verdade me esperando na sala, seu olhar... ...é diferente dos demais... E você? Que tem a me dizer?"... Ele sorri e diz, "Ah nada, só queria te dizer, que eu te amo mais que qualquer coisa nesse mundo... E se tivesse um milhão de cópias suas bem aqui, eu iria te achar, e curtir um dia só com você...". Com um sorriso imenso no rosto, os dois se beijam, e curtem o resto do dia, em que só existem eles dois no mundo...

[           Dedicado para: Viviane Paula           ]







Kyo König

quarta-feira, março 2

Distância





'    Lá está ele... Mas “lá” aonde? Nem ele mesmo sabe, ele não se recorda de nada antes daquele momento em que ele abre os olhos e vê aquele rosto... Mas... Não é um rosto qualquer... Ele pode esquecer tudo, o passado, a idade, ele pode esquecer até o próprio nome, mas aquele rosto ele sabia que nunca poderia esquecer...
'    Então ele começa a correr na direção dela, que agora andava de costas para ele... Na intenção que ela o olhasse ele grita o nome dela... Irônico, ele não lembra o próprio nome, mas o nome dela saiu fácil por entre seus lábios...
'    Ele corre até alcançar-la e a abraça, mas ela vira fumaça, literalmente, e se esvai dos seus braços... Assustado ele continua a gritar o nome dela, procurando-a naquela escuridão... Então um holofote acende sobre a cabeça dele, e três segundos depois um holofote acende sobre a cabeça dela, um tanto distante, e ela está lá, olhando-o... Ela ergue o braço e estende a mão, com um sorriso gentil no rosto, o convidando para seguir com ela. Ele volta a correr na direção dela, mais quanto mais ele corre, mais distante ela parece ficar...
'    Ele começa a chorar... Mas a distância impede que ela escute o som de suas lágrimas caindo no chão... Um passo em falso na correria e ele começa a cair, cada vez mais, naquela escuridão, ele tenta olhar para cima, mas ele já nem sabe onde “cima” fica... Aquilo parece um pesadelo sem fim... Então ele pensa “Sim! É um pesadelo!” e fechando os olhos o mais forte que pode ele tenta acordar...
'    Então toda a escuridão se vai, e agora, ele está deitado... Porém, ele está deitado em um corredor... Ele se levanta, e vê várias portas imensas ao longo de um corredor, então ele começa a andar... Depois de alguns passos, ele sente uma mão em seu ombro, ele sorri e se vira... É ela! Ali pertinho dele! Porém... Ela está estranha... Aquela, com certeza, não era ela, ele se afasta e começa a correr, mais uma daquelas mulheres aparece, ele se esquiva e continua a correr, e mais delas vão aparecendo, até existirem milhares, incontáveis daqueles “fantasmas”... O mesmo rosto, o mesmo corpo, a mesma roupa... Mas algo nelas não é igual...
'    Correndo por aquele corredor sem fim ele vê uma minúscula porta, que com esforço, ele poderia entrar, parecia ser uma saída diferente das outras por isso ele decidiu arriscar... Ele se dirige até a porta, a abre, e entra... Antes de fechar a porta ele olha para trás, aquele monte de “mulheres-fantasmas” continuam caminhando lentamente na direção dele, ele somente sorri e fecha a porta, tranca, e se vira para dentro do quarto, e a vê... Novamente... O sorriso antes no rosto dele some, dando lugar à expressão de surpresa, e logo, o sorriso aumenta...
'    Ele dá um... Dois... Três... Quatro passos, mas no quinto ele não consegue ir mais além... Depois de inúmeras tentativas de atravessar aquela barreira invisível, ele resolve procurar outro caminho, ele tenta voltar até a porta, mas agora existe outra parede invisível ali... Agora ele nem pode voltar e nem prosseguir... Está preso... Preso em uma caixa de vidro que começa a apertar lentamente, começa a espremer seus músculos, ele sente uma dor insuportável, e logo começa a escutar o som dos seus ossos quebrando, ele fecha os olhos na tentativa de amenizar a dor, e quando os reabre, ele já não está entro da “caixa de vidro”... Ele está bem na frente da garota, mas ela nem olha para ele...
'    Ele tenta tocá-la, mas incrivelmente seus dedos passam pelo rosto dela... Agora ele é o fantasma... Voltando a chorar e sem esperanças de estar junto dela agora, ele se dirige até uma varanda, e olha para baixo... Deveria estar em torno do 20° andar, ele olha para trás para ver o rosto daquela mulher mais uma vez, e sussurra baixinho “eu te amo”... Como se ela o escutasse ela olha para a varanda, e ele se atira...
'    Vendo o chão se aproximar, ele fecha os olhos, rapidamente ele sente a dor do seu corpo chegando ao chão e então...
'    ...Acorda...
'    Ele olha para o lado... Não há ninguém na cama além dele... Aos poucos ele vai relembrando as coisas... Sua memória volta... Ele não namora, não é casado, nem nunca foi. De alguma forma ele sabia que conhecia aquela mulher, mas ele não sabe de onde... Ele tenta lembrar o nome dela, aquele nome que ele falou tão fácil no sonho, mas que agora sumiu da sua mente... Depois de inúmeras tentativas de relembrar ele finalmente consegue... Agora ele sabe qual o nome da mulher, que a distância sempre os tinha separado...
...O nome dela?...        ...Amor!